sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

a campainha quebrou

Meus desejos são mal educados.
Não batem na porta, não pedem licença, invadem.

sem permissão

Eu quis beber água de chuva,
Quis morar na terra para me sujar de vida,
Quis rasgar teus olhos para me descobrir.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

água

TIBUM!
Pulou no poço.
(De águas claras)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

pouco de pro-te-ção

É preciso abrir as janelas da alma, que muitas vezes ficam enferrujadas. É preciso acolher o medo. Abraçá-lo. Protegê-lo. É preciso também deixar chover, para que tudo possa se renovar.

desconhecido

Totalmente desconhecidos um para o outro, um para o outro totalmente desconhecidos.
E mesmo assim resolveram se encontrar.
Ele aqui,
              Ela lá.
Se conheceram no riso, desde então.
Dormiram juntos. Mas não dormiram.
Olhos fechados, atentos.
Olhos abertos, desatentos.
Olhos nos olhos.
       Os dois no meio.
Se conheceram?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

voar

Que suas asas voltem a bater para que assim possa voar por todos os horizontes serenos que para mim são claros justamente porque um dia te vi passando por lá...

domingo, 31 de outubro de 2010

sobre a falta 2

Desconfio que Ana queria sentir a mistura do cheiro dela com o cheiro dele.
Cheiro docinho com cheiro de Marcos. Como seria?
Ela queria acordar com Marcos para que ele abrisse a janela...





...E as portas também.

sobre a falta

O relógio marcava 5:37.
Ana acordou sonolenta, foi devagar ao banheiro e escovou os dentes olhando ao espelho. Porque será que a pele dela ficava tão branca ao acordar?
De qualquer forma o dia amanhecia. Acordou mais cedo que o normal, sentou na beira da cama com os pés no tapete de joaninha e olhou em volta, o quarto cheirava docinho. Respirava devagar e profundamente. Sentia falta de alguma coisa. O que era?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

interior

AAAAAAAAAAh - escutou-se do outro lado.
Ela era uma menina loira. Era uma menina boba, rouca e um pouco louca.
Lá fora, algumas pessoas caminhavam, outras aceleravam os carros, viam-se crianças voltando da escola, velhinhos entrando pela porta do fundo do ônibus. Uns andavam de bicicleta, outros procuravam o táxi.
E ela, da janela, gritava:
- AAAAAAAAAAAh!
A calçada era inclinada. No chão, palavras escritas ao vento. Frases pixadas. Que ao longo do tempo a chuva levaria embora.
A casa era antiga - como ela gostava. Casinha branca com a tinta já um pouco desgastada, janelas que davam nas ruas, nada de portão. A casa não tinha portão. A porta era grande. E ele sempre passava por lá. Olhava para cima. E lá estava ela. Vezenquando de pijama, com o cabelo todo armado. Vezenquando, com o cabelo molhado.
- Gustavo! Ei! Olhe para cá!
Ele levantou a cabeça.
- Não vejo nada, querida.
- Você está ficando cego?
- Não! Os raios do sol estão misturando seus traços, meus olhos ficam sensíveis. Não vejo nada além da luz.
- Mas olhe para cima, Gustavo. Você não me olha mais. Você nunca mais me olhou.
- Eu te olho todos os dias, por todos os lugares que vou.
- Me olha?
- Te olho e te vejo. Mesmo quando não está.
Naquela cidade, algo mágico acontecia todos os dias. As pessoas sabiam olhar. A harmonia gritava.
Não era necessário ver para crer.
Silêncio - escutou-se por todos os lados.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

uni-verso


Os seres do lado de lá me contaram que você veio para ficar.